Quando a taxa Selic está em 15% ao ano, as aplicações de renda fixa ficam mais atrativas. Mas quanto R$ 1.000 rendem de fato em cada uma das principais opções disponíveis para o investidor brasileiro? A resposta varia conforme o produto escolhido, a tributação aplicada e as condições de cada investimento.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central (Banco Central do Brasil, 2026). Ela serve como referência para a remuneração de diversos investimentos de renda fixa e impacta diretamente a rentabilidade da poupança, do Tesouro Direto e de produtos como CDB, LCI e LCA.

Quanto rende cada investimento com Selic a 15%

Considerando um aporte de R$ 1.000 pelo período de um ano e a Selic em 15% ao ano, veja a rentabilidade aproximada de cada aplicação:

Poupança: R$ 1.105,00 (rendimento bruto de R$ 105,00)

A poupança rende 70% da Selic mais a TR (Taxa Referencial) quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Com Selic a 15%, o rendimento fica em torno de 10,5% ao ano, isento de Imposto de Renda.

CDB 100% do CDI: R$ 1.115,00 (rendimento líquido de R$ 115,00)

O CDI acompanha de perto a Selic. Um CDB que paga 100% do CDI rende cerca de 15% ao ano antes dos impostos. Após a tributação de 15% do IR (alíquota para aplicações acima de 720 dias), o rendimento líquido fica em torno de 12,75% ao ano, resultando em aproximadamente R$ 127,50 brutos e R$ 108,00 líquidos. Para prazos menores, a alíquota é maior: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, e 17,5% de 361 a 720 dias.

LCI e LCA 85% do CDI: R$ 1.127,50 (rendimento líquido de R$ 127,50)

Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) são isentas de Imposto de Renda para pessoa física. Mesmo pagando um percentual menor do CDI (geralmente entre 85% e 90%), a isenção fiscal pode torná-las mais rentáveis que CDBs. Com 85% do CDI, o rendimento bruto e líquido é de 12,75% ao ano.

Tesouro Selic: R$ 1.120,00 (rendimento líquido aproximado de R$ 120,00)

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e oferece rentabilidade próxima a 15% ao ano antes do IR (Tesouro Nacional, 2026). Descontando a alíquota regressiva do IR (15% para aplicações acima de 720 dias) e a taxa de custódia de 0,20% ao ano da B3, o rendimento líquido fica em torno de 12,5% ao ano.

Tesouro Prefixado: Variável conforme a taxa contratada

O Tesouro Prefixado oferece uma taxa fixa definida no momento da compra. Se a taxa prefixada for de 14% ao ano, por exemplo, o rendimento será próximo ao do Tesouro Selic, mas com a certeza da rentabilidade contratada até o vencimento, também sujeito ao IR regressivo.

Pontos importantes a considerar

A rentabilidade real depende de vários fatores. O prazo da aplicação influencia a alíquota do Imposto de Renda nos produtos tributados: quanto maior o prazo, menor o imposto. A liquidez também varia: poupança e Tesouro Selic têm liquidez diária, enquanto LCI, LCA e alguns CDBs exigem carência mínima, geralmente de 90 dias (InfoMoney, 2026).

O risco de crédito é outro fator. CDB, LCI e LCA contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250.000 por CPF e por instituição. Já os títulos do Tesouro Direto têm garantia do governo federal, considerada a mais segura do país.

Para comparar investimentos de forma justa, sempre considere o rendimento líquido (após impostos e taxas) e o prazo da aplicação. Em cenários de Selic elevada, a renda fixa tende a oferecer retornos atrativos com baixo risco, mas cada produto atende a um perfil e objetivo diferente.