Com a Selic a 14% ao ano, o rendimento das principais aplicações de renda fixa ganha novo fôlego. Para quem está começando a investir ou quer reorganizar a reserva de emergência, entender quanto rende R$ 1.000 em cada opção é o primeiro passo para tomar decisões mais conscientes. A poupança continua sendo a escolha mais popular, mas será que ainda faz sentido diante de alternativas como o Tesouro Direto e os CDBs?

Comparação rápida: rendimento de R$ 1.000 em 12 meses

AplicaçãoRentabilidadeRendimento brutoIR (alíquota)Rendimento líquido
Poupança0,5% a.m. + TRR$ 72,00IsentoR$ 72,00
Tesouro Selic 2029100% da SelicR$ 140,0017,5% (1 ano)R$ 115,50
CDB 100% do CDI100% do CDIR$ 137,2017,5% (1 ano)R$ 113,44
CDB 110% do CDI110% do CDIR$ 150,9217,5% (1 ano)R$ 124,51

Valores estimados considerando Selic a 14% a.a., CDI a 13,90% a.a. e TR zerada. Cálculos realizados com base nas regras vigentes em outubro de 2026.

Poupança: simplicidade com rendimento limitado

A caderneta de poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Com a TR historicamente próxima de zero, o rendimento efetivo fica em torno de 6,17% ao ano, segundo o Banco Central do Brasil.

Vantagens:

  • Isenção total de Imposto de Renda
  • Liquidez imediata após 30 dias da aplicação
  • Garantia do FGC até R$ 250.000 por CPF e instituição
  • Simplicidade: basta ter conta em banco

Desvantagens:

  • Rendimento inferior às demais opções de renda fixa
  • Perde para a inflação em períodos de IPCA elevado
  • Não acompanha integralmente o aumento da Selic

Para R$ 1.000 aplicados por 12 meses, o rendimento líquido fica em aproximadamente R$ 72,00, considerando 0,5% ao mês capitalizado. A isenção de IR torna o cálculo direto, mas o ganho real é o menor entre as três opções.

Tesouro Direto: segurança com rentabilidade atrelada à Selic

O Tesouro Selic, título público emitido pelo governo federal, acompanha a taxa básica de juros. Com a Selic a 14%, o rendimento bruto anual fica próximo desse patamar, como explica o Tesouro Nacional.

Vantagens:

  • Aplicação mínima baixa (a partir de R$ 30)
  • Liquidez diária (resgate em D+1)
  • Segurança máxima (risco soberano)
  • Rentabilidade superior à poupança

Desvantagens:

  • Incidência de Imposto de Renda (tabela regressiva de 22,5% a 15%)
  • Taxa de custódia da B3 (0,20% ao ano sobre o valor investido)
  • Necessidade de cadastro em corretora ou plataforma

Para R$ 1.000 por 12 meses, o rendimento bruto é de cerca de R$ 140,00. Descontando o IR de 17,5% (alíquota para aplicações entre 181 e 360 dias) e a taxa de custódia proporcional, o rendimento líquido fica em torno de R$ 115,50. Mesmo com os descontos, supera a poupança.

CDB: rendimento competitivo e diversidade de emissores

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são títulos emitidos por bancos para captar recursos. A rentabilidade varia conforme a instituição e o prazo, mas costuma ser expressa como percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que acompanha a Selic de perto.

Leia também: Selic a 14,50%: quanto rendem R$ 1.000 na poupança, CDB, LCI, LCA e Tesouro Direto

Vantagens:

  • Rentabilidades acima de 100% do CDI em bancos médios e digitais
  • Garantia do FGC até R$ 250.000 por CPF e instituição
  • Variedade de prazos e condições
  • Possibilidade de negociar melhores taxas em grandes volumes

Desvantagens:

  • IR pela tabela regressiva (igual ao Tesouro)
  • Liquidez varia conforme o título (alguns têm carência ou vencimento fixo)
  • Risco de crédito do emissor (mitigado pelo FGC)

Para R$ 1.000 em um CDB que paga 100% do CDI (aproximadamente 13,90% a.a. com Selic a 14%), o rendimento bruto anual é de R$ 137,20. Após o IR de 17,5%, o líquido fica em R$ 113,44. Já um CDB que paga 110% do CDI rende R$ 150,92 brutos e R$ 124,51 líquidos, a melhor performance entre as três opções analisadas.

Qual escolher? Recomendações por perfil

Para iniciantes ou quem prioriza simplicidade: A poupança ainda faz sentido para valores pequenos ou como porta de entrada. A isenção de IR e a facilidade compensam o rendimento menor, especialmente se a aplicação for por períodos curtos.

Para quem busca segurança máxima e liquidez diária: O Tesouro Selic é a escolha ideal. Apesar do IR, oferece o menor risco possível (governo federal) e permite resgates diários sem perda de rentabilidade. É a opção preferida para reservas de emergência.

Para quem aceita um pouco mais de risco e quer maximizar retorno: CDBs de bancos médios ou digitais que pagam acima de 100% do CDI entregam o melhor rendimento líquido. Verifique sempre a garantia do FGC e avalie a solidez do banco emissor. Títulos com liquidez diária são os mais versáteis.

Como a tributação impacta o rendimento real

A tabela regressiva do IR sobre investimentos de renda fixa, regulamentada pela Receita Federal, penaliza aplicações de curto prazo. Para maximizar o rendimento líquido, considere prazos superiores a 720 dias (alíquota mínima de 15%) ou, se precisar de liquidez, aceite que a poupança pode ser competitiva em horizontes muito curtos pela isenção fiscal.

As informações apresentadas seguem os princípios detalhados em obras como Principles of Finance (OpenStax, 2022), que abordam a relação entre risco, retorno e tributação em decisões de investimento.

Conclusão: o melhor investimento depende do seu objetivo

Com a Selic a 14%, as três opções ganham atratividade, mas atendem perfis diferentes. A poupança perde em rentabilidade, mas vence em simplicidade. O Tesouro Selic equilibra segurança, liquidez e rendimento superior. CDBs acima de 100% do CDI lideram em retorno líquido, desde que você escolha emissores sólidos e respeite prazos.

Antes de decidir, avalie seu prazo de investimento, necessidade de liquidez e tolerância a risco. Para reservas de emergência, Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária são superiores à poupança. Para objetivos de médio prazo, CDBs bem remunerados maximizam o ganho. O importante é sair da inércia e fazer o dinheiro render mais.