Financiamento Imobiliário: Quanto Você Paga de Juros no Total pelo SAC e PRICE
Descubra como SAC e PRICE impactam o total de juros pagos no financiamento da casa própria e qual sistema compensa mais no longo prazo.

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Neste artigo
O Peso dos Juros no Financiamento da Casa Própria
Você financia um imóvel de R$ 300 mil por 30 anos e, ao final, pode ter pagado mais de R$ 600 mil ao banco, dependendo do sistema de amortização escolhido. A diferença entre SAC e PRICE não está apenas no valor da parcela mensal, mas principalmente no total de juros que você entrega ao longo de décadas. Muitos compradores olham só para a prestação que cabe no bolso hoje e descobrem tarde demais que o custo real do imóvel dobrou.
Como Funciona o Cálculo de Juros em Cada Sistema
A diferença fundamental entre SAC (Sistema de Amortização Constante) e PRICE (Tabela Price) está na distribuição dos juros ao longo do tempo. No SAC, a amortização do principal é fixa em todas as parcelas, enquanto os juros incidem sobre o saldo devedor decrescente. Isso significa que você paga menos juros no total porque reduz a dívida mais rápido desde o início. Já na PRICE, as parcelas são fixas, mas nos primeiros anos você paga proporcionalmente mais juros e menos principal, o que mantém o saldo devedor elevado por mais tempo (Banco Central do Brasil).
Segundo os fundamentos apresentados em Principles of Finance, o valor dos juros totais depende diretamente de quanto tempo o capital fica emprestado e a que taxa. No SAC, como o saldo devedor cai linearmente, a base de cálculo dos juros diminui mês a mês. Na PRICE, o saldo devedor cai mais devagar no início porque a maior parte da parcela vai para juros, não para abater o principal (OpenStax, 2022).
A taxa de juros mensal é a mesma nos dois sistemas, mas o impacto acumulado é diferente. Se você financia R$ 300 mil a 9% ao ano (0,72% ao mês) por 30 anos, pelo SAC você pagará cerca de R$ 410 mil em juros totais. Pela PRICE, o total de juros sobe para aproximadamente R$ 570 mil. A diferença de R$ 160 mil não vem de uma taxa maior, mas do tempo que cada real fica devendo ao banco.
Exemplo Prático: Dois Irmãos, Dois Sistemas
João e Maria financiaram R$ 300 mil cada um, ambos a 9% ao ano por 30 anos (360 meses). João escolheu SAC, Maria optou pela PRICE.
No primeiro mês, João paga R$ 3.000 de amortização (R$ 300.000 dividido por 360 meses) mais R$ 2.160 de juros (0,72% sobre R$ 300.000), totalizando R$ 5.160. Maria paga uma parcela fixa de R$ 2.414 desde o começo, sendo R$ 2.160 de juros e apenas R$ 254 de amortização do principal.
Após 5 anos (60 meses), João já amortizou R$ 50 mil do principal (60 vezes R$ 833,33), então seu saldo devedor caiu para R$ 250 mil. As parcelas de João agora custam cerca de R$ 4.800 (R$ 833,33 de amortização mais R$ 1.800 de juros). Maria continua pagando R$ 2.414, mas seu saldo devedor ainda está em R$ 285 mil, porque ela amortizou apenas R$ 15 mil do principal nos mesmos 5 anos.
Leia também: Como Sair das Dívidas e Começar a Investir: Guia Prático
No meio do financiamento (ano 15), a situação é ainda mais clara. João já pagou metade do principal, seu saldo devedor está em R$ 150 mil e sua parcela caiu para cerca de R$ 3.916. Maria ainda deve R$ 230 mil e continua pagando os mesmos R$ 2.414. Neste ponto, João já pagou R$ 205 mil em juros acumulados, enquanto Maria pagou R$ 275 mil, mesmo tendo parcelas menores (InfoMoney).
Ao final dos 30 anos, João terá desembolsado R$ 710 mil no total (R$ 300 mil de principal mais R$ 410 mil de juros). Maria terá pago R$ 870 mil (R$ 300 mil de principal mais R$ 570 mil de juros). A economia de João em relação a Maria é de R$ 160 mil, mesmo que ele tenha enfrentado parcelas iniciais mais altas.
Por Que a PRICE Custa Mais
A razão é matemática e está na velocidade de redução do saldo devedor. No SAC, como a amortização é constante, você sempre está reduzindo a dívida no mesmo ritmo. Os juros caem porque incidem sobre um valor menor a cada mês. Na PRICE, as parcelas fixas privilegiam o conforto do bolso hoje, mas atrasam o abatimento efetivo da dívida. Nos primeiros 10 anos da PRICE, você paga majoritariamente juros, não principal, o que mantém a base de cálculo dos juros elevada por mais tempo (Governo Federal).
Para quem planeja quitar antecipadamente, o SAC é ainda mais vantajoso. Como você já amortizou mais principal nos primeiros anos, a quitação antecipada reduz mais o total de juros restantes. Na PRICE, se você quitar após 10 anos, ainda deve uma parcela grande do principal, porque pagou principalmente juros até então.
Quando Escolher Cada Sistema
O SAC compensa quem tem margem financeira para pagar parcelas maiores no início e quer minimizar o custo total. É a escolha certa para quem planeja ficar com o imóvel até quitar e tem renda estável ou crescente. A PRICE é indicada quando o orçamento está apertado e você precisa de parcelas menores agora, mesmo sabendo que pagará mais no fim. Também faz sentido se você pretende vender o imóvel ou quitar o financiamento antes do prazo final, pois o custo extra dos juros será menor em prazos curtos.
A decisão entre SAC e PRICE define literalmente quanto da sua renda irá para o banco nas próximas décadas. Simular os dois cenários com os valores reais do seu financiamento é o primeiro passo antes de assinar o contrato.
Fontes
- Sistema de Amortização SAC e PRICE (acesso em )
- Cidadania Financeira - Crédito Imobiliário (acesso em )
- Guias de Finanças Pessoais (acesso em )
- Principles of Finance (acesso em )


