Como Declarar Investimentos no Imposto de Renda: Comparativo por Tipo de Aplicação
Guia comparativo para declarar corretamente renda fixa, ações, fundos e previdência no IRPF 2026, com tabela de referência e orientações por perfil de investidor.

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Neste artigo
Declarar investimentos no imposto de renda é obrigatório para quem possui aplicações financeiras, mas cada tipo de ativo exige um tratamento específico na ficha de Bens e Direitos. A Receita Federal cruza os dados informados pelas instituições financeiras com a declaração do contribuinte, e inconsistências podem levar à malha fina. Este guia compara os principais tipos de investimento e orienta sobre como declará-los corretamente no IRPF 2026.
Tabela Comparativa: Como Declarar Cada Investimento
| Tipo de Investimento | Ficha | Código | Informações Obrigatórias | Tributação na Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Direto | Bens e Direitos | 45 - Aplicação de renda fixa | Tipo de título, quantidade, saldo em 31/12 | Sim, IR retido no resgate |
| CDB, LCI, LCA | Bens e Direitos | 45 - Aplicação de renda fixa | CNPJ do emissor, saldo em 31/12 | CDB sim; LCI/LCA isentos |
| Ações | Bens e Direitos | 31 - Ações | Ticker, quantidade, custo de aquisição | Não, recolhimento via DARF |
| Fundos Imobiliários (FII) | Bens e Direitos | 73 - Fundo de Investimento Imobiliário | CNPJ do fundo, quantidade de cotas, valor investido | Rendimentos isentos; ganho de capital tributado |
| Fundos de Investimento | Bens e Direitos | 71, 72, 74, 75 (conforme tipo) | CNPJ do fundo, saldo em 31/12 | Sim, come-cotas ou no resgate |
| PGBL | Bens e Direitos | 97 - PGBL | CNPJ da seguradora, saldo em 31/12 | No resgate, tributação total |
| VGBL | Bens e Direitos | 96 - VGBL | CNPJ da seguradora, saldo em 31/12 | No resgate, tributação sobre rendimentos |
Renda Fixa: Tesouro Direto, CDB, LCI e LCA
Aplicações de renda fixa devem ser declaradas na ficha Bens e Direitos sob o código 45. Para cada investimento, informe o CNPJ da instituição custodiante (corretora ou banco), discrimine o tipo de aplicação (Tesouro Selic, CDB prefixado, LCI etc.) e declare o saldo possuído em 31 de dezembro do ano-base.
Atenção para rendimentos: CDB, Tesouro Direto e debêntures sofrem retenção de IR na fonte conforme a tabela regressiva (de 22,5% a 15%, segundo o prazo). Já LCI e LCA são isentos de imposto para pessoa física, mas a posição deve constar na declaração. Os rendimentos tributados aparecem automaticamente na ficha Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva, com base no informe de rendimentos fornecido pela instituição financeira (Receita Federal, 2026).
Erro comum: não atualizar o saldo anual. O valor declarado deve refletir o montante investido mais os rendimentos que ainda não foram resgatados, exatamente como consta no informe.
Renda Variável: Ações, FIIs e ETFs
Ações de empresas listadas na bolsa vão na ficha Bens e Direitos, código 31. Declare cada papel separadamente ou agrupe por emissor, informando quantidade de ações e custo médio de aquisição (o que você pagou, incluindo corretagem). O custo médio é calculado somando todas as compras e dividindo pela quantidade total de papéis.
Tributação ativa: ao vender ações com lucro, o investidor recolhe o imposto via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda. A alíquota é de 15% sobre o ganho de capital para operações normais, ou 20% para day trade. Vendas até R$ 20.000 por mês em ações são isentas de IR, mas a operação deve constar na ficha de Renda Variável do programa (CVM, 2026).
Fundos imobiliários (FII) seguem lógica semelhante, mas usam o código 73. Os rendimentos mensais distribuídos por FIIs negociados em bolsa são isentos de IR para pessoa física, porém o ganho de capital na venda das cotas é tributado em 20%, sem isenção por faixa de valor.
Fundos de Investimento
Fundos multimercado, de renda fixa, de ações e cambiais têm códigos específicos na ficha Bens e Direitos (71 a 75, conforme a classificação ANBIMA). Declare o CNPJ do fundo e o saldo em 31/12. A tributação ocorre no resgate (fundos de longo prazo, tabela regressiva de 22,5% a 15%; fundos de curto prazo, de 22,5% a 20%) ou antecipadamente via come-cotas, nos últimos dias úteis de maio e novembro.
Leia também: Como Funciona o Imposto de Renda sobre Investimentos: Comparativo Completo
Diferença crucial: fundos de ações com ao menos 67% do patrimônio em ações têm alíquota fixa de 15% no resgate e não sofrem come-cotas. Verifique a classificação no informe de rendimentos antes de preencher.
Previdência Privada: PGBL e VGBL
PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) têm tratamento distinto. PGBL permite deduzir até 12% da renda bruta tributável, sendo vantajoso para quem faz declaração completa. No resgate ou recebimento de renda, o IR incide sobre o valor total. Use o código 97 na ficha Bens e Direitos.
VGBL não tem dedução fiscal, mas o imposto no resgate incide apenas sobre os rendimentos (não sobre o principal investido). Vai no código 96. Ambos podem optar pela tabela regressiva (de 35% a 10%, conforme o tempo de acumulação) ou progressiva (alíquotas do IR, de 0% a 27,5%).
Escolha por perfil: contribuintes que declaram pelo modelo simplificado ou têm renda baixa tendem a preferir VGBL. Quem declara pelo completo e investe a longo prazo (acima de 10 anos) geralmente se beneficia do PGBL com tabela regressiva, conforme abordado em textos de referência como Principles of Finance (OpenStax, 2022).
Recomendações por Perfil de Investidor
Iniciante com poucos ativos: declare cada posição na ficha Bens e Direitos usando o informe de rendimentos como roteiro. Não omita nenhum investimento, mesmo que isento ou de valor pequeno. A malha fina cruza automaticamente os dados das instituições.
Investidor ativo em renda variável: mantenha planilha de controle mensal de compras, vendas, custo médio e apuração de IR. Use o programa auxiliar Ganhos de Capital (GCap) da Receita Federal para facilitar o cálculo e a emissão de DARFs. Erros no custo médio são a principal causa de inconsistências.
Portfólio diversificado: organize os informes de rendimentos por instituição antes de começar. Declare fundos pelo CNPJ correto (não confunda o fundo com a gestora) e revise se todas as aplicações foram importadas ou digitadas. A ausência de um CDB ou fundo pode gerar notificação automática.
Conclusão
A declaração de investimentos exige atenção a códigos, saldos e datas, mas seguir a estrutura da Receita Federal reduz erros. Mantenha os informes de rendimentos arquivados por cinco anos, atualize os saldos anualmente e declare ganhos de capital dentro do prazo. Para carteiras complexas ou dúvidas sobre enquadramento tributário, considere o suporte de um contador especializado em investimentos (Banco Central, 2026). A correção na declaração evita malha fina e garante tranquilidade fiscal.
Fontes
- Meu Imposto de Renda - Receita Federal (acesso em )
- Portal do Investidor - CVM (acesso em )
- Cidadania Financeira - Banco Central (acesso em )
- Principles of Finance (acesso em )


